Os hiperespaços para a educação formal, não formal e informal
Problematizar a utilização de recursos, dispositivos e ferramentas da web para o processo educativo
Relacionar os espaços formais, não-formais e informais de aprendizagem no virtual.
Argumentar de forma sustentada sobre os hiperespaços atuais para os processo de educação formal, informal e não-formal
Num mundo em constante mudança a educação formal já não é suficiente e a educação informal e não-formal assumem cada vez maior importância. As tecnologias e ferramentas disponíveis no hiperespaço assumem um papel de potenciais facilitadoras ou mesmo promotoras da aprendizagem. O seu contributo efetivo para a aprendizagem, depende, no entanto, do conhecimento das suas potencialidades e da sua utilização enquanto forma e conteúdo (Melaré, 2010). Neste texto procuraremos explorar a forma como a educação formal, não-formal e informal se complementam cada vez mais (ou deveriam complementar), bem como, a importância que os diferentes recursos tecnológicos disponíveis podem assumir na aprendizagem. A forma como o conhecimento evolui e a rapidez com que se torna obsoleto constitui uma das caraterísticas do mundo atual. Gonzalez (2004) refere a curta validade do conhecimento na atualidade para justificar a necessidade de novos métodos de ensino: One of the most persuasive factors is the shrinking half-life of knowledge.The “half-life of knowledge” is the time span from when knowledge is gained to when it becomes obsolete. Half of what is known today was not known 10 years ago. The amount of knowledge in the world has doubled in the past 10 years and is doubling every 18 months according to the American Society of Training and Documentation (ASTD). To combat the shrinking half-life of knowledge, organizations have been forced to develop new methods of deploying instruction. Siemens (2004) refere a importância significativa da educação informal para a nossa aprendizagem (já não aprendemos apenas através da educação formal) e a necessidade de encarar a aprendizagem como um processo contínuo que deve verificar-se ao longo de toda a vida (muitos alunos terão de realizar, ao longo das suas vidas, um percurso por muitos e possivelmente diferentes campos do conhecimento)como algumas das principais tendências na educação. A necessidade de atualização constante dos conhecimentos parece-nos, pois, uma realidade e um fator determinante na sociedade atual. Como Siemens (2004) afirma: Formal education no longer comprises the majority of our learning. Learning now occurs in a variety of ways – through communities of practice, personal networks, and through completion of work-related tasks. A atualização contínua dos conhecimentos depende sobretudo da educação informal e não-formal. Embora as definições existentes nem sempre coincidam (Werquin, 2007), quando falamos de educação formal estamos a referir-nos à aprendizagem inicial que ocorre nas instituições educativas ou a certos cursos de formação profissional muito específicos. Caracteriza-se pela estruturação, pela organização, pelos objetivos pré-estabelecidos, pela intencionalidade e pela certificação. A educação informal, pelo contrário, não é organizada e não tem objetivos pré-definidos nem certificação e, na maior parte dos casos, não é intencional. É a aprendizagem que resulta das relações com os que nos rodeiam, das experiências por que vamos passando e das atividades que vamos desenvolvendo ao longo da vida. Quando nos referimos à educação não-formal estamos a falar da aprendizagem que não depende das instituições educativas formais, mas está sujeita a objectivos e é intencional. A importância da educação informal e não-formal é defendida por vários autores e mesmo a nível institucional. Instituições como a OCDE ou a Comissão Europeia têm desenvolvido iniciativas no sentido de promoverem o seu reconhecimento. No mesmo sentido, um estudo da Associação Industrial Portuguesa (2010) alerta para a importância da aprendizagem informal como fator determinante para a competitividade das empresas e da economia. Uma das principais caraterísticas do paradigma do virtual é a facilidade de acesso à informação. De uma realidade em que o acesso à informação dependia em grande parte da palavra escrita e dos professores - considerados os detentores do conhecimento - ou do acesso, por vezes difícil, a um ou outro livro evoluiu-se para uma realidade em que temos à nossa disposição, todo o tipo de informação, sobre os mais variados temas e nos mais diversos formatos, à distância de um clique. Entre as potenciais implicações para a educação, destacamos a diversidade das fontes e dos formatos de informação permitindo acomodar as preferências de diversos tipos de alunos e promover a criatividade, a interdisciplinaridade, a transdisciplinaridade, a multiculturalidade e a transculturalidade (Melaré, 2010), que o acesso a fontes de informação de múltiplas origens e as suas ligações promovem e, por outro lado, a necessidade desenvolvimento de novas capacidades que permitam desenvolver o espírito crítico e a capacidade de análise de forma a distinguir entre fontes credíveis e não credíveis. As novas teorias da aprendizagem como o Construtivismo ou o Conetivismo procuram refletir a nova realidade. Defendem a construção partilhada do conhecimento entre alunos e professores, alunos e os seus pares ou entre ambos e a comunidade virtual alargada. O conhecimento depende cada vez mais da capacidade de criar ligações com os outros, com os recursos disponíveis online. Sebastian Fiedler, George Siemens ou Stephen Downes, defendem por isso o recurso às plataformas sociais como aliadas e promotoras da educação e da transmissão de conhecimentos. Como diz Stephen Downes: “A learning activity is, in essence, a conversation undertaken between the learner and other members of the community. This conversation, in the Web 2.0 era, consists not only of words but of images, video, multimedia and more. This conversation forms a rich tapestry of resources, dynamic and interconnected, created not only by experts, but by all members of the community, including learners”.
Neste sentido, Will Richardson e Rob Mancabelli no livro Personal Learning Networks: using the power of conncetions t transform education defendem a aprendizagem em/na rede, ou seja, aprendemos o que queremos, ou precisamos, usando as ferramentas e os recursos disponíveis online. Ao contrário dos tradicionais ambientes de aprendizagem, os Personal Learning Networks (PLNs) - Ambientes de Aprendizagem em Rede - são únicos, pois cada um é criado com objectivos pessoais de aprendizagem que evoluem e se transformam ao longo das nossas vidas, extrapolando as aprendizagens formais e as tradicionais fontes de informação e conhecimento. "It is, we think, an excinting new world of learning." (Richardson e Mancabelli, 2011). Esta característica dos PLNs apresenta um grande desafio à cultura tradicional educacional que se caracteriza pelos professores serem os únicos detentores de conhecimento e pelo ensino-aprendizagem massificado. Visto que os PLNs se localizam na web, as ferramentas e os recursos de aprendizagem são inúmeros para o ensino. Não basta reformular os espaços de ensino-aprendizagem, como tem acontecido desde 1994 com a introdução da internet no espaço escolar, é necessário transformá-los, acompanhando as mudanças que a era digital trouxe e exige à sociedade actual, nomeadamente no que diz respeito às competências no campo da criação, da produção e do trabalho colaborativo. "We have begun to close the digital divide, but a huge "learning-network divide" remains." (Richardson e Mancabelli, 2011). A grande maioria dos nossos alunos comunica e interage com recurso às novas tecnologias, vivendo online, nomeadamente através das "redes sociais", as quais defendem que devem ser extensíveis às salas de aula. Para que esta mudança ocorra, é urgente que as escolas e os professores identifiquem e reconheçam as oportunidades de aprendizagem e de ensino que a aprendizagem em rede pode possibilitar, nomeadamente atingir objectivos individuais de aprendizagem. Neste sentido, é preciso que os professores compreendam e dominem as ferramentas e os recusos que estão subjacentes aos PLNs, de forma a poderem utilizá-los como métodos pedagógicos de ensino-aprendizagem nas suas salas de aula. Assim, dos networked teachers podem-se atingir os networked students e as networked classrooms.
No seu conjunto, os diversos recursos, dispositivos e ferramentas, quando utilizados como conteúdo promovem, entre outros:
a partilha de informação (blogues, wikis, podcasts, e-portfolios, redes sociais, social bookmarking, partilha de fotos, vídeos, fóruns, video messaging,Youtube, RSS feeds, PLN, etc.)
o trabalho colaborativo (wikis, redes sociais, social bookmarking, video messaging, Skype, fóruns,PLN, etc.)
a interação (wikis, redes sociais, social bookmarking, video messaging, Skype, fóruns, PLN, etc.)
a análise crítica da informação (blogues, wikis, e-porfólios, social bookmarking, RSS feeds, etc.)
a criatividade (blogues, wikis, partilha de fotos, podcasts, e-portfólios, jogos, mundos virtuais, etc.)
São potencialidades que devem ser aproveitadas corretamente. Se podem contribuir de forma decisiva para a educação informal e não formal, também não devem ser ignoradas pela educação formal. Como dissemos, a atualização contínua dos conhecimentos é fundamental no mundo atual. A facilidade de acesso à informação e todas as outras potencialidades dos recursos, dispositivos e ferramentas do virtual facilitam - desde que corretamente utilizadas - essa aprendizagem. Julgamos que um dos papeis da educação formal é o de preparar os alunos para o mundo em que vivem e para os desafios que vão encontrar na sua vida futura. Nesse sentido, deverá promover a utilização com fins educativos dos vários recursos, dispositivos e ferramentas por forma a desenvolver capacidades essenciais: espírito crítico, reflexão, criação de ligações que permitam o acesso e a partilha da informação, etc. Trata-se de dotar os jovens de capacidades que lhes permitam continuar a aprender quando deixarem a educação formal e que lhes permitam tirar o melhor partido de ferramentas que muitas vezes já utilizam no seu dia-a-dia. No entanto, apesar de as potencialidades desses recursos e dispositivos serem reconhecidas, nem sempre são aproveitadas da melhor maneira existindo, ainda, por vezes, alguma resistência à sua utilização nomeadamente por parte da educação formal. Para além disso, algum desconhecimento dessas potencialidades por parte dos educadores leva a que por vezes os recursos não sejam utilizados da melhor maneira, desperdiçando muitas das suas qualidades. Por outro lado, apesar do acesso à educação informal e não-formal estar - pela facilidade de acesso a múltiplas e variadas fontes de informação - muito facilitado, a preocupação de atualização dos conhecimentos nem sempre se verifica, como podemos verificar pela leitura do relatório do estudo levado a cabo pela Associação Industrial Portuguesa (2010).Julgamos necessário que esta situação se altere e que se caminhe no sentido de um aproveitamento mais efetivo de todas as potencialidades do virtual. As oportunidades de aprendizagem no espaço virtual passam pela sua flexibilidade de aplicação em contextos formais, informais ou não-formais dependendo dos objetivos dos professores/formadores. A utilização dos recursos, dispositivos e ferramentas disponíveis na Web deve ser bem ponderada no que respeita à sua colaboração para o processo educativo. Assim, o educador deve considerar os seguintes aspetos:
Conteúdo:Aluno como recetor passivo
Contacto:Aluno como participante
Conduta:Aluno como ator
Educação, aprendizagem e literacia digital
Recursos educacionais
Contacto com outros que partilham os mesmos interesses
Aprendizagem por iniciativa própria ou colaborativa
Participação e envolvimento cívico
Informação global
Troca entre grupos de interesses
Formas concretas de envolvimento cívico
Criatividade e auto-expressão
Diversidade de recursos
Ser convidado/inspirado a criar ou participar
Criação de conteúdo gerado pelo utilizador
Adptado de Jorge, Ana (2010), Redes sociais, crianças e jovens - Uma perspectiva sobre riscos e oportunidades
Muitos se têm revelado os estudos sobre a aprendizagem formal e informal numa vertente educativa. Contudo, poucas têm sido as investigações sobre a aprendizagem nos vários contextos da sociedade actual. Devido às “Social Computing Skills” que envolvem aprendizagens imediatas e de “Seep Learning” através do recurso à wikipédia, blogs, Youtube, Google, redes sociais e organizacionais; o processo de aprendizagem está a transformar-se e está a aumentar a autonomia de aprender de cada um. O recurso a plataformas Open Source em ambientes favoráveis à aprendizagem e ao conhecimento estão a resultar em inovação com a criação de valor para o aluno. No actual contexto, o acesso à informação, a sua partilha e as redes que lhe estão subjacentes constituem vectores essenciais para o processo de aprendizagem ao longo da vida. O mundo em que vivemos apresenta várias características que, não podemos ignorar, tais como a globalidade, virtualidade, aceleração, networking, conectividade, ubiquidade de comunicação.Em pleno séc. XXI estão a dar-se mudanças que estão a transformar a sociedade. Estas transformações dizem respeito ao nascimento de novos modelos de inovação e aprendizagem em colaboração aberta e em estreita colaboração onde as redes sociais sustentadas em tecnologia web 2.0 são exemplos incontornáveis. Devemos perceber os sinais emergentes da sociedade, assumindo a aprendizagem e a inovação como factores decisivos para o processo evolutivo, pois o ser humano é um indivíduo em constante aprendizagem e adaptação social.
Fiedler, S. H., & Väljataga, T. (2011). Personal Learning Environments: Concept or Technology?. International Journal of Virtual and Personal Learning Environments (IJVPLE), 2(4), 1-11. doi:10.4018/jvple.2011100101 Mason, Robin & Rennie, Frank (2008). E-Learning and Social Networking Handbook. New York: Routledge
Siegler, M. ( 2010). "Eric Schmidt : Every 2 Days We Create As Much Information As We Did Up To 2003." Techchrunch. Disponível online em: http://techcrunch.com/2010/08/04/schmidt-data/
Siemens, G. (2005). Connectivism: A Learning Theory for the Digital Age. International Journal of Instructional Technology and Distance Learning, 2, 1. Disponível online em http://www.itdl.org/Journal/Jan_05/article01.htm
Os hiperespaços para a educação formal, não formal e informal
Num mundo em constante mudança a educação formal já não é suficiente e a educação informal e não-formal assumem cada vez maior importância. As tecnologias e ferramentas disponíveis no hiperespaço assumem um papel de potenciais facilitadoras ou mesmo promotoras da aprendizagem. O seu contributo efetivo para a aprendizagem, depende, no entanto, do conhecimento das suas potencialidades e da sua utilização enquanto forma e conteúdo (Melaré, 2010). Neste texto procuraremos explorar a forma como a educação formal, não-formal e informal se complementam cada vez mais (ou deveriam complementar), bem como, a importância que os diferentes recursos tecnológicos disponíveis podem assumir na aprendizagem.
A forma como o conhecimento evolui e a rapidez com que se torna obsoleto constitui uma das caraterísticas do mundo atual. Gonzalez (2004) refere a curta validade do conhecimento na atualidade para justificar a necessidade de novos métodos de ensino: One of the most persuasive factors is the shrinking half-life of knowledge. The “half-life of knowledge” is the time span from when knowledge is gained to when it becomes obsolete. Half of what is known today was not known 10 years ago. The amount of knowledge in the world has doubled in the past 10 years and is doubling every 18 months according to the American Society of Training and Documentation (ASTD). To combat the shrinking half-life of knowledge, organizations have been forced to develop new methods of deploying instruction.
Siemens (2004) refere a importância significativa da educação informal para a nossa aprendizagem (já não aprendemos apenas através da educação formal) e a necessidade de encarar a aprendizagem como um processo contínuo que deve verificar-se ao longo de toda a vida (muitos alunos terão de realizar, ao longo das suas vidas, um percurso por muitos e possivelmente diferentes campos do conhecimento) como algumas das principais tendências na educação.
A necessidade de atualização constante dos conhecimentos parece-nos, pois, uma realidade e um fator determinante na sociedade atual. Como Siemens (2004) afirma: Formal education no longer comprises the majority of our learning. Learning now occurs in a variety of ways – through communities of practice, personal networks, and through completion of work-related tasks. A atualização contínua dos conhecimentos depende sobretudo da educação informal e não-formal. Embora as definições existentes nem sempre coincidam (Werquin, 2007), quando falamos de educação formal estamos a referir-nos à aprendizagem inicial que ocorre nas instituições educativas ou a certos cursos de formação profissional muito específicos. Caracteriza-se pela estruturação, pela organização, pelos objetivos pré-estabelecidos, pela intencionalidade e pela certificação. A educação informal, pelo contrário, não é organizada e não tem objetivos pré-definidos nem certificação e, na maior parte dos casos, não é intencional. É a aprendizagem que resulta das relações com os que nos rodeiam, das experiências por que vamos passando e das atividades que vamos desenvolvendo ao longo da vida. Quando nos referimos à educação não-formal estamos a falar da aprendizagem que não depende das instituições educativas formais, mas está sujeita a objectivos e é intencional.
A importância da educação informal e não-formal é defendida por vários autores e mesmo a nível institucional. Instituições como a OCDE ou a Comissão Europeia têm desenvolvido iniciativas no sentido de promoverem o seu reconhecimento. No mesmo sentido, um estudo da Associação Industrial Portuguesa (2010) alerta para a importância da aprendizagem informal como fator determinante para a competitividade das empresas e da economia.
Uma das principais caraterísticas do paradigma do virtual é a facilidade de acesso à informação. De uma realidade em que o acesso à informação dependia em grande parte da palavra escrita e dos professores - considerados os detentores do conhecimento - ou do acesso, por vezes difícil, a um ou outro livro evoluiu-se para uma realidade em que temos à nossa disposição, todo o tipo de informação, sobre os mais variados temas e nos mais diversos formatos, à distância de um clique.
Entre as potenciais implicações para a educação, destacamos a diversidade das fontes e dos formatos de informação permitindo acomodar as preferências de diversos tipos de alunos e promover a criatividade, a interdisciplinaridade, a transdisciplinaridade, a multiculturalidade e a transculturalidade (Melaré, 2010), que o acesso a fontes de informação de múltiplas origens e as suas ligações promovem e, por outro lado, a necessidade desenvolvimento de novas capacidades que permitam desenvolver o espírito crítico e a capacidade de análise de forma a distinguir entre fontes credíveis e não credíveis. As novas teorias da aprendizagem como o Construtivismo ou o Conetivismo procuram refletir a nova realidade. Defendem a construção partilhada do conhecimento entre alunos e professores, alunos e os seus pares ou entre ambos e a comunidade virtual alargada. O conhecimento depende cada vez mais da capacidade de criar ligações com os outros, com os recursos disponíveis online. Sebastian Fiedler, George Siemens ou Stephen Downes, defendem por isso o recurso às plataformas sociais como aliadas e promotoras da educação e da transmissão de conhecimentos. Como diz Stephen Downes: “A learning activity is, in essence, a conversation undertaken between the learner and other members of the community. This conversation, in the Web 2.0 era, consists not only of words but of images, video, multimedia and more. This conversation forms a rich tapestry of resources, dynamic and interconnected, created not only by experts, but by all members of the community, including learners”.
Neste sentido, Will Richardson e Rob Mancabelli no livro Personal Learning Networks: using the power of conncetions t transform education defendem a aprendizagem em/na rede, ou seja, aprendemos o que queremos, ou precisamos, usando as ferramentas e os recursos disponíveis online. Ao contrário dos tradicionais ambientes de aprendizagem, os Personal Learning Networks (PLNs) - Ambientes de Aprendizagem em Rede - são únicos, pois cada um é criado com objectivos pessoais de aprendizagem que evoluem e se transformam ao longo das nossas vidas, extrapolando as aprendizagens formais e as tradicionais fontes de informação e conhecimento. "It is, we think, an excinting new world of learning." (Richardson e Mancabelli, 2011). Esta característica dos PLNs apresenta um grande desafio à cultura tradicional educacional que se caracteriza pelos professores serem os únicos detentores de conhecimento e pelo ensino-aprendizagem massificado. Visto que os PLNs se localizam na web, as ferramentas e os recursos de aprendizagem são inúmeros para o ensino. Não basta reformular os espaços de ensino-aprendizagem, como tem acontecido desde 1994 com a introdução da internet no espaço escolar, é necessário transformá-los, acompanhando as mudanças que a era digital trouxe e exige à sociedade actual, nomeadamente no que diz respeito às competências no campo da criação, da produção e do trabalho colaborativo.
"We have begun to close the digital divide, but a huge "learning-network divide" remains." (Richardson e Mancabelli, 2011).
A grande maioria dos nossos alunos comunica e interage com recurso às novas tecnologias, vivendo online, nomeadamente através das "redes sociais", as quais defendem que devem ser extensíveis às salas de aula. Para que esta mudança ocorra, é urgente que as escolas e os professores identifiquem e reconheçam as oportunidades de aprendizagem e de ensino que a aprendizagem em rede pode possibilitar, nomeadamente atingir objectivos individuais de aprendizagem. Neste sentido, é preciso que os professores compreendam e dominem as ferramentas e os recusos que estão subjacentes aos PLNs, de forma a poderem utilizá-los como métodos pedagógicos de ensino-aprendizagem nas suas salas de aula. Assim, dos networked teachers podem-se atingir os networked students e as networked classrooms.
No seu conjunto, os diversos recursos, dispositivos e ferramentas, quando utilizados como conteúdo promovem, entre outros:
Tecnologias on Prezi
São potencialidades que devem ser aproveitadas corretamente. Se podem contribuir de forma decisiva para a educação informal e não formal, também não devem ser ignoradas pela educação formal. Como dissemos, a atualização contínua dos conhecimentos é fundamental no mundo atual. A facilidade de acesso à informação e todas as outras potencialidades dos recursos, dispositivos e ferramentas do virtual facilitam - desde que corretamente utilizadas - essa aprendizagem. Julgamos que um dos papeis da educação formal é o de preparar os alunos para o mundo em que vivem e para os desafios que vão encontrar na sua vida futura. Nesse sentido, deverá promover a utilização com fins educativos dos vários recursos, dispositivos e ferramentas por forma a desenvolver capacidades essenciais: espírito crítico, reflexão, criação de ligações que permitam o acesso e a partilha da informação, etc. Trata-se de dotar os jovens de capacidades que lhes permitam continuar a aprender quando deixarem a educação formal e que lhes permitam tirar o melhor partido de ferramentas que muitas vezes já utilizam no seu dia-a-dia.
No entanto, apesar de as potencialidades desses recursos e dispositivos serem reconhecidas, nem sempre são aproveitadas da melhor maneira existindo, ainda, por vezes, alguma resistência à sua utilização nomeadamente por parte da educação formal. Para além disso, algum desconhecimento dessas potencialidades por parte dos educadores leva a que por vezes os recursos não sejam utilizados da melhor maneira, desperdiçando muitas das suas qualidades.
Por outro lado, apesar do acesso à educação informal e não-formal estar - pela facilidade de acesso a múltiplas e variadas fontes de informação - muito facilitado, a preocupação de atualização dos conhecimentos nem sempre se verifica, como podemos verificar pela leitura do relatório do estudo levado a cabo pela Associação Industrial Portuguesa (2010).Julgamos necessário que esta situação se altere e que se caminhe no sentido de um aproveitamento mais efetivo de todas as potencialidades do virtual.
As oportunidades de aprendizagem no espaço virtual passam pela sua flexibilidade de aplicação em contextos formais, informais ou não-formais dependendo dos objetivos dos professores/formadores. A utilização dos recursos, dispositivos e ferramentas disponíveis na Web deve ser bem ponderada no que respeita à sua colaboração para o processo educativo. Assim, o educador deve considerar os seguintes aspetos:
Muitos se têm revelado os estudos sobre a aprendizagem formal e informal numa vertente educativa. Contudo, poucas têm sido as investigações sobre a aprendizagem nos vários contextos da sociedade actual. Devido às “Social Computing Skills” que envolvem aprendizagens imediatas e de “Seep Learning” através do recurso à wikipédia, blogs, Youtube, Google, redes sociais e organizacionais; o processo de aprendizagem está a transformar-se e está a aumentar a autonomia de aprender de cada um. O recurso a plataformas Open Source em ambientes favoráveis à aprendizagem e ao conhecimento estão a resultar em inovação com a criação de valor para o aluno.
No actual contexto, o acesso à informação, a sua partilha e as redes que lhe estão subjacentes constituem vectores essenciais para o processo de aprendizagem ao longo da vida. O mundo em que vivemos apresenta várias características que, não podemos ignorar, tais como a globalidade, virtualidade, aceleração, networking, conectividade, ubiquidade de comunicação.Em pleno séc. XXI estão a dar-se mudanças que estão a transformar a sociedade. Estas transformações dizem respeito ao nascimento de novos modelos de inovação e aprendizagem em colaboração aberta e em estreita colaboração onde as redes sociais sustentadas em tecnologia web 2.0 são exemplos incontornáveis. Devemos perceber os sinais emergentes da sociedade, assumindo a aprendizagem e a inovação como factores decisivos para o processo evolutivo, pois o ser humano é um indivíduo em constante aprendizagem e adaptação social.
Referências
Associação Industrial Portuguesa. (2010). Aprendizagem informal e utilização das TIC nas PME portuguesas. Disponível online em
http://www.creativelearningconference.com/docs/Sintese_Aprendizagem_Informal.pdf
Gonzalez, C. (2004). The Role of Blended Learning in the World of Technology. Disponível online em http://www.unt.edu/benchmarks/archives/2004/september04/eis.htm.
Downes, Stephen, (2007), Learning networks in practice – Emerging Technologies for Learning, Volume 2, (2007), British Educational Comunication and technology Agency (Becta). http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/20101102103654/http://partners.becta.org.uk/upload-dir/downloads/page_documents/research/emerging_technologies07_chapter2.pdf
Fiedler, S. H., & Väljataga, T. (2011). Personal Learning Environments: Concept or Technology?. International Journal of Virtual and Personal Learning Environments (IJVPLE), 2(4), 1-11. doi:10.4018/jvple.2011100101
Mason, Robin & Rennie, Frank (2008). E-Learning and Social Networking Handbook. New York: Routledge
Melaré, D. (2010). O virtual como novo espaço educativo. Disponível online em: http://www.periodicos.udesc.br/index.php/udescvirtual/article/view/1650/1329.
Siegler, M. ( 2010). "Eric Schmidt : Every 2 Days We Create As Much Information As We Did Up To 2003." Techchrunch. Disponível online em: http://techcrunch.com/2010/08/04/schmidt-data/
Siemens, G. (2005). Connectivism: A Learning Theory for the Digital Age. International Journal of Instructional Technology and Distance Learning, 2, 1. Disponível online em http://www.itdl.org/Journal/Jan_05/article01.htm
Werquin, P. (2007). Terms, concepts and models for analysing the value of recognition programmes.Disponível online em
http://www.oecd.org/dataoecd/33/58/41834711.pdf